Em carta, médico afirma que Othelino Neto recebia participação em contratos do Hospital de Monção

Othelino Neto e Mariano de Castro
Othelino Neto e Mariano de Castro

Em carta escrita do próprio punho, o médico piauiense Mariano de Castro Silva que foi encontrado morto nessa quinta-feira (12) em seu apartamento no bairro Ininga, na Zona leste de Teresina, afirma que o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto, teria acertado uma participação nas propinas pagas por uma empresa indicada por ele para prestar serviços ao Hospital Geral de Monção.

No documento conhecido nesta sexta-feira, 14, a que o site MARANHÃO DE VERDADE teve acesso, Mariano afirma que a ‘participação’ que o chefe do legislativo estadual recebia era dividida com o medico Leonardo Sá, ex- vereador de Pinheiro.

“Naquele momento o pai de Leonardo Sá (Dr. FCO Sá) estava lá na anestesia…. e Leonardo e Othelino receberia mensalmente uma participação… depois de um tempo, Dr. Fco Sá colocou outra empresa… Estava no inicio da inauguração do hospital de Pinheiro e Leonardo pediu para eu encaminhar os dados de uma empresa para ele resolver com a Acqua… abrindo uma ou colocando uma já existente… Lá foi briga demais… não fiquei sabendo como foi… apena mandei e-mail “, disse o médico que foi um dos presos durante a operação Pegadores.

Na carta, Mariano deletou ainda que esse contrato teria sido submetido à ex-secretária adjunta de Saúde, Rosângela Curado, que também foi uma das pessoas presas durante a Operação Pegadores, deflagrada em novembro do ano passado pela PF. De acordo com Mariano, o aval para o contrato ocorreu depois de uma conversa de Rosângela com o próprio Othelino.

Carta escrita do próprio punho do medico
Carta escrita do próprio punho do médico

“Depois de uma conversa da Rosangela com Otelino (sic) e Luiz, sobre a possibilidade de colocar a empresa em Monção… Aí Otelino (sic) disse que seria (sic) todas as especialidades lá no hospital de Monção… “, declarou.

DIFICULDADE NA CONTRATAÇÃO
O médico também afirma houve uma dificuldade com o esposo [Jesiel Araújo] da então diretora da unidade de saúde e o contrato acabou sendo dividido entre a empresa indicada pelo presidente da Assembleia e outra indicada pela diretora do hospital, identificada por Jane Araújo.

“Houve uma dificuldade com o esposo de Jane (então diretora) e terminou sendo dividido os grupos médicos, sendo metade para uma empresa de Jane e metade para a empresa de Otelino…”, revelou.

No documento bombástico divulgado na imprensa, Mariano conta como se deu sua transferência para Barra do Corda. Segundo o delator, isso ocorrer por conta de uma briga, após a inauguração do Hospital de Pinheiro. Ele não deu detalhes da confusão, mas coincidentemente, a briga deve ter relação com Othelino e Leonardo, ex-aliados que hoje são adversários.

Na próxima matéria, vamos continuar revelando mais detalhes desta delação que atinge em cheio a alta cúpula do Palácio Manuel Beckman.