Tudo foi detalhado em áudio

Empresário diz que não sabia que empresa teria sido usada para lavar dinheiro

Dono de produtora delata suposto esquema que envolve partido do governador Flávio Dino

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Era um dia normal de 2017 quando Aldo Oberdan Pinheiro Montenegro decidiu, não lembra bem por qual motivo, consultar as contas da empresa Aldo Oberdan Pinheiro Montenegro-ME. Para a surpresa dele, descobriu grandes movimentações. Mais surpreendente ainda: soube da emissão de uma nota fiscal de R$ 500 mil e outra de R$ 800 mil na campanha de 2014. O estranhamento tinha um motivo: a produtora dele só recebeu efetivamente em conta corrente R$ 500 mil.

Depois que descobriu as movimentações suspeitas, o empresário começou a ser cobrado pelo Fisco por conta do não pagamento de impostos. Só a partir daí, o empresário soube que sua empresa teria sido usada para contabilizar despesa de campanha sem o seu consentimento.

Revoltado com a situação, o empresário que é funcionário público efetivo do Estado, procurou a deputada Andrea Murad (PRP) para denunciar o caso. Ele entregou a ela todas as documentações. Duas notas fiscais frias – uma de R$ 500 mil e outra de R$ 880 mil – foram usadas para lavar dinheiro do Comitê Financeiro de Flávio Dino nas Eleições de 2014.

“A nota fiscal diz que ela foi endereçada ao PCdoB. Agora não sei qual foi a atividade dessa nota né. Se foi prestado mesmo algum serviço, se não foi. Porque os 800 mil não passou na conta. Mas quem movimentava era o Carlos e o Igor que é dono do Rey dos Vidros”, explicou Aldo para a deputada Andrea Murad.

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A seguir trechos da conversa do empresário delatando grandes movimentações na conta bancária da empresa e notas fiscais frias emitidas supostamente para justificar despesas de campanha.

Aldo Oberdan tinha assinado procuração passando a administração da empresa ao amigo Carlos Alberto Miranda Silva, que já era dono da Nayara Produções. Na época, Carlos Alberto e Igor, dono do Rey dos Vidros, ficaram responsáveis pela administração da empresa. Segundo o denunciante o caso também era do conhecimento de Márcio Jerry.

“Também fui lá no partido. Inclusive encontrei uma vez no banco Márcio Jerry, dentro do banco, eu cobrei dele. Aí ele disse ‘não rapaz, não posso falar disso aqui, tem câmera e tudo, vai no partido’. Fui no PCdoB. Falei com um tal de Haroldo, ele virou pra mim e disse assim ‘se eu não tinha medo de morrer’. Eu disse ‘mas eu não fiz nada de errado meu irmão. Eu tô dando minha cara a tapa pra vocês ficarem usando a minha empresa e quem tá na pior sou eu que meu nome tá sujo, eu posso ir pro CADIN e o CADIN pode interferir na minha conta do Estado. Bloquear. Eu ainda vou ser prejudicado’”, relatou Aldo que disse ainda ter sido ameaçado também pelo Igor do Rey dos Vidros. Depois do episódio resolveram tirar o nome de Aldo da empresa.

A deputada Andrea Murad vai analisar os documentos e formalizar denúncia nos órgãos competentes. “Estou de posse de extratos bancários, notas fiscais frias, que junto com minha equipe técnica vamos analisar e encaminhar às autoridades competentes”, destacou Andrea Murad.

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