Tecnologia e o futuro do Maranhão

Rubens
Rubens Pereira Jr é advogado, deputado estadual, eleito deputado federal pelo PCdoB

O Maranhão tem um caminho de desenvolvimento a trilhar, no qual a pesquisa científica e a popularização da tecnologia têm papel central. Isso passa pelo aproveitamento dos potenciais já instalados em nosso estado – ou seja, pelo estímulo à agroindústria e pela potencialização da produção industrial já existente. E também pelo aproveitamento do fato de estar em nosso estado o mais bem localizado centro de lançamento de foguetes do planeta.

Nossas vocações agrícolas são por demais conhecidas, bem como o ativo comércio de nossos centros urbanos e a crescente indústria de nosso estado, que no governo de Flávio Dino começa a ter um canal de diálogo direto para buscar formas de apoio. Agora é o momento de aproveitar esses potenciais já instalados para desenvolver nosso estado, gerando riquezas para o povo maranhense.

Além disso, temos a sorte de contar em nosso território com um dos melhores locais do planeta para acessar o espaço sideral. A apenas dois graus da linha do Equador, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) é um dos mais bem posicionados do mundo, tendo realizado mais de 450 lançamentos de foguetes nos últimos 30 anos.

Mas seu potencial é ainda mais impressionante, apesar de pouco explorado, por razões tecnológicas e logísticas. Para superar essas barreiras, o governador Flávio Dino visitou o centro, acompanhado de secretários do seu governo, tendo sido o primeiro governador do estado a realizar tal proeza, que deveria ser rotineira, diante da importância do CLA. Teve ainda reunião esta semana que passou com o ministro da Ciência e Tecnologia Aldo Rebelo.

Nas próximas semanas, também estarei com o ministro para levar a ele as demandas apresentadas durante o I Debate Tecnológico Maranhense, realizado na Assembleia Legislativa, em parceria com o deputado indicado secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Bira do Pindaré, e com participação do deputado federal eleito Julião Amin e do vice-governador Carlos Brandão, bem como do diretor do CLA, coronel aviador Cláudio Olany, prof. Dr. Areolino Almeida, e do reitor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), professor doutor Roberto Brandão Ferreira.

Vamos trabalhar pela articulação com os Ministérios de Ciência e Tecnologia e o de Educação para que o IFMA tenha uma linha de pesquisa ligada à política aeroespacial brasileira, para que a presença do CLA em nosso estado seja uma alavanca para o desenvolvimento da tecnologia. Podemos pensar em pós-graduações stricto sensu ligadas à área, sem deixar de sonhar, por que não, em um departamento do ITA em nosso estado. Hoje, tudo é produzido no interior de São Paulo, para ser lançado por aqui!

Indispensável, de toda forma, que aumentemos o sentimento de pertencimento do CLA. O maranhense deve ter orgulho, como o potiguar tem em relação ao CL da Barreira do Inferno, ou o norte americano de Cabo Canaveral. Imaginemos, por exemplo, o potencial turístico desta visita que começaria pela história nas ruas e casarões de Alcântara e encerra no futurista CLA, tendo como moldura o pôr do sol e os prédios horizontais da Ilha.

Durante o debate também ficou evidente a necessidade de equacionar a maior utilização do Centro de Lançamento com o desenvolvimento da região de Alcântara. Pelas contradições que marcaram os últimos 50 anos da história maranhense, o centro de alta tecnologia que permite enviar foguetes ao espaço sideral está a poucos metros de casas de taipa, sem nenhuma infra-estrutura básica, como água encanada ou tratamento de esgoto.

O desenvolvimento do centro tem de ser equacionado, portanto, com a melhoria da qualidade de vida da população de Alcântara. Principalmente das comunidades quilombolas, que foram retiradas de sua área de ocupação tradicional para instalação do Centro de Lançamento. Nas regiões para onde foram transferidas, têm mais dificuldade de acesso à pesca e precisam do apoio dos governos federal e estadual para encontrar novas formas de desenvolvimento local.

Alcântara é uma região de nosso estado plena de histórias, cultura e beleza natural. Portanto, além de seu potencial para desenvolvimento científico, tem grande potencial turístico, que pode ser um vetor de crescimento econômico e geração de renda para a região. O que nós queremos é que além de sermos o melhor lugar do mundo para se lançar foguetes, possamos ser também o melhor lugar pra se garantir direitos.

Outro desafio citado durante o debate é o da popularização da ciência em nosso estado. Nesse caminho, são essenciais os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs). O país possui cerca de 500 desses centros, mas apenas um está localizado no Maranhão, o estaleiro escola. Vamos trabalhar em Brasília em parceria com o governo federal e o governador Flávio Dino para expandir esses centros, explorando o potencial de cada região.

Temos convicção que ao final do mandato de Flavio Dino, com apoio decisivo do Ministro de Ciência e Tecnologia, o Maranhão deixara pra trás as marcas do atraso e será um estado pronto para o futuro! (Jornal Pequeno)